PARTO HUMANIZADO – Afinal… O Que É?

Parto Humanizado, tema atual hoje em dia. Está na boca de todo mundo.

Antes ninguém falava sobre isso…

“Aí! Parto humanizado…eu sei! Aquele na banheira cheia de florzinha, com velas, aí é tão lindo! Aí menina! que coragem!!!”

” Aqui no nosso hospital nós temos o protocolo de parto humanizado, o pai pode entrar na sala de parto e nós tocamos musiquinha…Kennedy ou Enya…”

Para o Ministério da Saúde, parto humanizado até pouco tempo atrás era o direito à gestantes as seis consultas de pré natal e a permissão do acompanhante, do pai poder entrar na sala de parto.

Afinal dona Doula, o que é Parto Humanizado?

Sou Eleonora Morais, psicóloga, doula e mãe de três filhos e diretora do Despertar do Parto.

O assunto é Parto Humanizado. Como é essa história de parto humanizado? Na verdade de onde vem essa classificação de tipos de parto…parto na água, parto de cócoras, parto na banheira, parto sem dor.
Se a gente pensar na história do parto, o parto antes acontecia em casa, era atendido pelas parteiras, pelas mulheres da comunidade, da família. Imagina, será que naquela época tinha tipo de parto? Acho que não, né? A coisa simplesmente acontecia e os bebês nasciam.

Quando o parto veio pro hospital, ele veio com uma série de padronizações e aí sim se tinha cesariana, fórceps ou o parto vaginal que é o parto normal. A partir daí é que se começou querendo sair dessa padronização e querendo individualizar esse processo. A ter idéias sobre tipos de parto, então que ele poderia ser, de repente, na água ou na banqueta, mas será que isso responde então o que seria parto humanizado.
Na verdade a informação mas rica que eu tenho pra mim, dentro da minha história de conhecimento em relação ao parto, da história do pato é entender um conceito que quem trouxe foi uma Antropóloga americana chamada, Robbie Davis Floyd e ela traz para a gente conseguir compreender essa questão do parto no formato de assistência. Na verdade então são as formas de assistência que a gente consegue escolher e poder oferecer. Uma é a assistência medicalizada o parto e o outro é assistência humanizada. Na assistência medicalizada ao parto, que é o que a gente mais escuta, mais vê em filmes e que você com certeza escuta a sua vizinha, a sua prima, a tia e todo mundo a contar como foi essa experiência que muitas vezes está relacionada a relatos de violência e de um parto que não foi satisfatório.

Ele vem dessa assistência medicalizada. E o que quer dizer isso? Na assistência medicalizada a gente entende que a fisiologia do parto precisa ser aperfeiçoada. “A você está com 40 semanas de gestação, não teve contração ainda, não vai nascer! Melhor a gente induzir o seu parto ou então já ir para a cesárea direto, porque não vai entrar trabalho.
Então tem sempre essa tendência a querer acelerar esse processo, que poderia ser fisiológico natural e aperfeiçoar esse processo todo.

Então aí entram todas as intervenções e que vieram dentro da história da obstetrícia de uma forma rotineira. Sem pensar muito, porque se aprendeu com o professor, que aprendeu com o professor, que aprendeu com o professor a colocar, por exemplo, o soro com a ocitocina que o hormônio do parto para acelerar as contratações em todas as mulheres independente de como ela chegava na maternidade.
Outro procedimento de rotina, colocar a mulher na posição de litotomia, deitada igual frango assado com as pernas para cima.
Outro procedimento de rotina, fazer o tal do piquezinho o corte lá no períneo, pobrezinho, episiotomia.
Isso foi aprendido de professor para professor sem muito se estudar se isso trazia mais benefícios ou menos benefícios

Na assistência medicalizada a gente também tem outro tópico que é o protagonismo do parto ser centrado no médico e na instituição hospitalar, então tudo acontece para favorecer aquela rotina hospitalar, tudo acontece para favorecer o trabalho da equipe médica, mas será que o conforto da mulher tá legal? Deitadinha naquela posição e com aquele avental de bunda de fora?
E um terceiro pilar da assistência medicalizada é que tem uma relação vertical médico e paciente…”Eu sou o seu doutor, eu entendo, eu estudei 6 anos e fiz mais um monte de especializações, então eu sei o que você precisa na hora do parto…”

Por outro lado, a assistência humanizada vem para quebrar todo esse formato rígido de atendimento ao parto e de querer se colocar todas as mulheres a viver um processo igual.
Na assistência humanizada ao parto o que a gente tem em primeiro lugar é a confiança na fisiologia do parto é o acompanhamento, o obstarem, o obstar que é estar ao lado acompanhando essa mulher e vendo como vai ser esse processo fisiológico dela, quanto tempo será que essa mulher em particular vai demorar. Aí sim eu utilizo das intervenções, não é que eu não vou usar, que tem que ser parto normal a qualquer custo ou que é em casa só com um paninho, um baldinho, as florzinhas e a velhinha, não! Na verdade eu tenho o conhecimento da tecnologia eu tenho acesso à tecnologia, mas eu só vou utilizar em casos específicos, se aquela mulher naquela situação de parto exige que tenha um aperfeiçoamento que tenha uma ajuda.

Na assistência humanizada quem é a protagonista do parto é a mulher e essa é a grande diferença. Os profissionais que estão à volta dela, têm os recursos tecnológicos para serem utilizados, mas eles vão se adaptar à individualidade dessa mulher que está fazendo o seu processo, é ela que vai pôr o seu bebê pra fora.
A relação que acontece na assistência humanizada do profissional que atende, do médico, da enfermeira obstetra, da obstetrícia em relação à parturiente é uma relação que a gente chama de horizontalizada, as discussões sobre as decisões em relação às condutas de parto elas são compartilhadas entre os dois, as responsabilidades também são compartilhadas, então aí se consegue atender a mulher, à família num processo que é natural que é fisiológico. Dando ênfase à individualidade, ao tempo para cada um, para cada mãe nascer, para cada bebê nascer.

Basicamente de uma forma muito simples essa é a diferença entre a assistência medicalizada e assistência humanizada.

Quando você tiver interessado em saber mais, em buscar porque você grávida ou conhece alguém que está grávida e quer um parto humanizado, escolha bem a equipe e o lugar onde você vai ter o seu bebê, porque essa vai ser a grande diferença.

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Despertar do Parto

Muito se fala sobre o parto humanizado, mas pouco se entende sobre o que realmente isto quer dizer. Neste vídeo, Eleonora Moraes traz questionamentos e faz a gente pensar (e se divertir!) sobre o assunto. ☀️

Este é o primeiro vídeo de conteúdo do canal do YouTube do Despertar do Parto 🙂

Citações:
Antropóloga Robbie Davis Floyd: http://www.davis-floyd.com

——LINKS:——-

Site Despertar do Parto: http://www.despertardoparto.com.br
Site Curso de Doula: http://www.euqueroserdoula.com.br

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Facebook Curso de Doula:
https://www.facebook.com/euqueroserdoula

——CRÉDITOS:——-

Produção: Grupo Itech Brasil e Despertar do Parto
Direção: Marcela Gomide
Edição e Pós-Produção: Guilherme Ferreira
Licença
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Despertar do Parto – Ribeirão Preto (SP)
Rua Pedro Pegoraro, 285 I Ribeirânia
☎ (16) 3878-0886